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4:54 PM
Consoles não vão acabar tão cedo, diz CEO da BGS


São Paulo - Revezar o jogo entre PS4 e Xbox 720 tendo que dar apenas alguns passos entre um estande e outro. Definitivamente esse é um dos grandes sonhos dos gamers em 2013 - e é possível que ele se concretize na próxima Brasil Game Show, o evento mais importante de games do país, que ocorrerá entre 25 e 29 de outubro no Expo Center Norte, em São Paulo.

Após receber 100 mil visitantes no ano passado (com 20 mil não conseguindo ingresso), o CEO da feira, Marcelo Tavares, resolveu aproveitar o bom momento internacional de lançamentos da nova geração e o grande interesse do público para dobrar o tamanho da feira e adicionar mais um dia ao evento. A intenção declarada é se tornar o segundo maior evento de games do mundo - ficando atrás apenas da E3, evento em Los Angeles no qual os dois novos consoles devem estar.

INFO conversou com Marcelo Tavares sobre o atual momento dos consoles, a ascensão do mercado brasileiro de games e as melhorias aguardadas para a próxima BGS.

INFO: A Sony teve uma participação notável na última BGS, com presença de desenvolvedores, executivos e muitas demonstrações de games novos. Tudo indica que em 2013 teremos o próprio PS4 na feira. Podemos esperar esse primeiro contato com o console e com os jogos neste ano?

Marcelo: O próprio Mark Stanley (gerente da Sony na América Latina) disse, logo após o anúncio do PlayStation 4, que o novo console estaria na Brasil Game Show. Eu também fiquei sabendo da novidade pela imprensa. Por contrato, só eles podem fazer esse tipo de anúncio.

Mas é possível esperar algo semelhante ao que foi feito com o Wii U na BGS de 2012, com diversos consoles e jogos à disposição para teste dos visitantes?

Eu diria que dá para esperar até mais do que no ano passado. A feira dobrou de tamanho, terá um dia a mais, a capacidade de público está muito maior. Logo, a área dos próprios estandes também estará maior. Por exemplo, a área que temos para a Sony desta vez está muito maior que a do ano passado.

A chegada da nova geração faz desse ano um momento especial. No ano passado, a Nintendo deu o primeiro passo com o Wii U, mas agora a Sony já deu seu passo e provavelmente a Microsoft também dará.

Falando nela, podemos esperar um estande bem maior também por parte da Microsoft?

Sim, tanto Sony quanto Microsoft estão com reservas de espaço bem maiores do que no ano passado. Acho que é também um reflexo do que aconteceu com o mercado brasileiro, que está crescendo bastante, assim como o próprio evento.

Em geral, ter dobrado o tamanho da feira inflou os estandes ou trouxe mais novas empresas?

Nossa prioridade foi dar mais espaço para as empresas que já estão conosco há mais tempo, então veremos muitos estandes dobrando sua área do ano passado. Mas temos boa procura de novas empresas e o público verá estandes inéditos por lá.

Por mais que o ano esteja marcado pela guerra entre Sony e Microsoft, está surgindo com tudo uma leva de novos consoles, como o Ouya e as variantes do Steam Box. Você pode antecipar a presença de algumas dessas empresas no evento?

Para 2013, as negociações estão mais confortáveis, todas as empresas nos procuraram com mais antecedência, todas estão se planejando melhor. Já estamos em negociação sim com algumas dessas empresas e acredito que teremos chance de ver alguns desses novos consoles na feira.

Esse ano representa um grande momento para os consoles, mas poucas vezes se falou tanto que essa será a última geração para eles. Você é um colecionador nato, tem 230 consoles e ama esse tipo de plataforma. Na sua visão, essa será a última geração? Os PCs e a forma de consumo de games por download nas lojas virtuais vai acabar com esse tipo de produto?

Em termos globais, há um mercado de PCs e dispositivos móveis, ou de gêneros como o MOBA, em crescimento elevado. Mas no Brasil o mercado de games está crescendo muito para jogos de console - e ainda há um horizonte positivo de crescimento para PS3, Xbox 360, Wii e até para os portáteis.

Como colecionador, eu sempre joguei mais em consoles. Muitas pesquisas indicam que o tempo que o jogador de console gasta jogando costuma ser maior que o do jogador de outras plataformas - sobretudo por ela ser historicamente uma plataforma dedicada a jogos. Seria uma pena se um dia os consoles acabassem, mas acredito que isso não vá acontecer tão cedo assim. Acredito que há, no mínimo, espaço para essa próxima geração e mais uma - mas isso vai depender das prioridades que as empresas escolherem para essa geração que está chegando.

Por um lado, o fim da mídia física, por exemplo, é inevitável. Como colecionador, adoro ter a caixa do jogo, mas pelo preço e pela praticidade, essa transição vai mais beneficiar do que prejudicar o mercado. Mas, por outro lado, eu vejo que o console também está se tornando cada vez mais uma estação de entretenimento para você ter na sala de casa - não é mais aquilo que você tem no quarto e é tachado como "viciado" por jogar. Agora todos participam, jogam, desfrutam e compartilham conteúdo nas redes sociais.

No fim, acho que ainda há muita lenha para queimar no mercado de consoles. A geração atual chegou entre 2005 e 2006, então acho que teremos pelo menos mais uns seis anos com essa nova geração e haverá sim espaço para pelo menos mais uma em seguida.

No ano passado, a BGS contou com 53 jornalistas estrangeiros. Naquela época, você afirmou que o evento já era a quarta maior feira de games do mundo e o objetivo agora era se tornar a segunda. Qual é a perspectiva nesse momento?

Atualmente temos um evento de importância na Europa, um no Japão e a E3 nos Estados Unidos. Pensando de forma conservadora sobre importância da feira, presença de expositores e capacidade de atrair todas as grandes empresas do ramo, estávamos em quarto, mas com potencial claro para assumir posição muito melhor.

Trabalho com videogames há dez anos e enfrentei um período no mercado em que só passávamos dificuldades e não tínhamos acesso a nada no Brasil. Agora é a hora de virar esse jogo completamente, com games localizados, preço melhor, fabricação local e eventos. É preciso popularizar mais o videogame no Brasil, seja no console ou em qualquer plataforma.

Leia nossa cobertura completa da BGS 2012, com entrevistas com os produtores de Halo, Assassin's Creed e Tekken

Pensando em presença de público, é possível sonhar em ser a maior feira do mundo? No ano passado, foram 100 mil pessoas e é estimado que 20 mil não conseguiram ingresso.

É possível, mas também é necessário humildade e foco no trabalho. Em 2013, as pessoas já verão uma grande mudança na estrutura e queremos dobrar o número de visitantes. Para 2014, queremos manter esse ritmo de crescimento. Poucos eventos no mundo crescem numa taxa de 100% ao ano, mas felizmente estamos conseguindo imprimir esse ritmo e não queremos que ele seja reduzido - até porque há demanda. Público não falta e esse interesse está sendo percebido agora pelas grandes empresas - elas estão entendendo o quão importante é investir aqui.

O que falta é abrir a mente de quem ainda não percebeu que o Brasil é o ponto ideal para investimentos nessa área. Desta vez, o número de jornalistas internacionais deve dobrar e estamos nos tornando uma "capital da América Latina" quando o assunto é games.

Recentemente, o Brasil ganhou seu primeiro game aprovado na Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, mas no âmbito político e até cultural do Brasil, parece que os games ainda são vistos com receio, como se fossem algo menor. O que falta para o mercado brasileiro se tornar ainda mais notável e o game superar esse preconceito interno?

Um estudo recente mostrou crescimento de 100% no consumo de jogos em relação ao ano passado. Eu acho que esse ritmo tende a ser mantido por mais alguns anos ainda, pelo menos até 2017. Esse era um mercado virgem até há alguns anos, não havia produtor oficial de games presente no Brasil - o que tinha mesmo era contrabando e pirataria.

A expectativa é que ainda nesse semestre nós possamos ter um anúncio da Sony sobre produção local. Tendo em vista as três gigantes (Nintendo, Sony e Microsoft): se uma delas adotar um ritmo mais forte e puxar o mercado com mais força, a tendência é que as outras acompanhem. Isso traria uma competição ainda maior, um preço de hardware e software mais baixo e todo conteúdo localizado. Nós temos um mercado que pode impulsionar o crescimento dessas marcas.

Mas é preciso esclarecer que boa parte dessa demora não é culpa das empresas, e sim da burocracia brasileira e dos impostos por aqui, que são absurdos. O custo Brasil é surreal. O nosso mercado crescerá de qualquer jeito, mas poderia haver um empurrão a mais do governo. As pessoas não conhecem videogame, não sabem de sua importância e só agora os números estão surgindo. Até há pouco tempo, mais de metade do que era vendido aqui vinha de fora. Muito vinha por contrabando - o que não gerava números e, logo, o governo não enxergava. Ter um mercado oficial consolidado e uma produção local notável são os dois passos essenciais.

A BGS terá mais dias, mais espaço e 80% dos locais de estande já foram vendidos. Haverá também um aumento no número de atividades diferentes na feira? O que podemos esperar de novo?

Até pelo sucesso dos campeonatos no ano passado, aumentou a procura por outras empresas querendo fazer competições de suas marcas nesse ano - então o número de campeonatos deve dobrar. Aliás, temos projetos ambiciosos nesse território. Quem estava no ano passado está voltando, mas teremos também algumas empresas que faltaram e estamos prevendo uma grande briga dos jogos online - ainda mais que um dos pavilhões será dedicado aos PCs e dispositivos móveis, enquanto o outro será destinado aos consoles.

Essa também será a BGS com mais lançamentos de jogos e, sendo assim, e a presença de celebridades internacionais, que já chamou atenção no ano passado, com produtores de Tekken, Halo e Assassin's Creed, deve mais que dobrar dessa vez.

As ruas para trafegar pela feira serão ampliadas e a praça de alimentação será sete vezes maior. Já estamos trabalhando junto com a prefeitura e o governo para que o fluxo de acesso ao evento também seja mais bem organizado em todo perímetro do Expo Center Norte, pleiteando inclusive o fechamento das ruas dos arredores.

Alguma medida foi tomada para tentar inibir a atividade dos cambistas na região?

No ano passado, tivemos cambistas vendendo ingresso da BGS a 180 a 200 reais nos arredores do Expo Center Norte. O preço do ingresso antecipado no começo das vendas era 20 reais. Nós não ganhamos nada com isso e tomamos algumas atitudes para tentar conter essas ações.

Dessa vez, a venda antecipada começará cinco meses antes do evento e não haverá bilheteria na porta. Todas as vendas serão feitas por internet por canais oficiais, como já é realizado em grandes eventos.

2013 está sendo celebrado como um dos melhores anos em lançamentos dos últimos tempos - e você tem mais de 3 mil jogos em sua coleção. O que você tem jogado atualmente?

O que eu sempre joguei, independente de plataforma, foram os jogos de futebol. Tenho inúmeras versões de FIFA e PES, sempre curti os dois, e se tivesse que fazer uma lista de preferidos, eles seriam os primeiros. São games que sempre joguei e meus amigos jogam. Eu acompanho futebol e o lado bom é que quando o Flamengo está mal, posso descontar no videogame (risos).

Logo em seguida, eu posicionaria jogos de corrida. Eu gosto muito das séries Forza e Need for Speed. Sempre gostei também de F1, Grid, NASCAR e por aí vai.

Antigamente, eu não costumava jogar games de tiro em primeira pessoa e de guerra. Mas alguns jogos desse gênero se tornaram tão grandes que fica quase impossível não jogar. Tenho jogado muito Call of Duty: Black Ops 2 e Battlefield 3 também. Principalmente o Call of Duty eu pensava que não ia curtir. Eu não jogava nada da franquia há muitos anos, mas quando vi na feira a fila de duas horas para jogar, decidi experimentar e acabei virando fã do jogo. Praticamente tudo que vejo na feira, eu busco comprar depois e experimentar.

Um título que eu estava aguardando e acabei de comprar foi o God of War: Ascension. Ainda não tive tempo de jogar, mas pretendo zerar nos próximos dias. O novo Gears of War também, é outro que pretendo comprar.

Com meu filho de 12 anos, tenho jogado LittleBigPlanet Karting e Tekken Tag Tournament 2.

Aos gamers que nunca foram à BGS, o que você diria sobre a edição desse ano?

Todas as grandes feiras de games do mundo serão especiais em 2013 pelo lançamento dos novos consoles. Muitos estão falando que esse será o maior ano dos games na história. Nem nas batalhas épicas entre Nintendo e Sega houve uma disputa tão grande como dessa vez. Quem gosta de videogame e está no Brasil, não deve perder essa edição da BGS, que será a maior já feita e terá o dobro do ano passado. Será uma oportunidade única de interagir com o mercado, num momento em que as empresas do ramo estão dando uma atenção enorme ao Brasil, e de conhecer o que há de mais moderno - inclusive muita coisa em primeira mão.

Fonte: http://www.info.abril.com.br
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